AR repudia censura

A Associação dos Roteiristas repudia imensamente a decisão da juíza Katerine Jatahy Kitsos Nygaard, resultante da ação movida pelo DEM e pelo advogado Victor Travancas, de proibir a exibição do filme “A Serbian Film”, apreendendo também a cópia de projeção.

Tal atitude não acontece no Brasil desde 1984, quando questão semelhante censurou o filme “Je Vous Salue Marie”. Contudo, devemos lembrar que desde 1988 vigora no Brasil uma Constituição que é plena na defesa da liberdade de expressão e na proibição de atos de censura.

A decisão da juíza não apenas nos choca enquanto cidadãos brasileiros, mas também enquanto artistas criadores de ficções e narrativas. Acreditamos plenamente que a arte deva ser livre e sem freios de qualquer natureza para o seu desenvolvimento. Ao se propor a discussão profunda da condição humana, nem sempre a arte resulta em uma obra leve e agradável e sim num retrato espantoso dos limites do ser humano.

Acreditamos ainda que nenhuma obra de arte se realiza completamente sem a exposição e apreciação de um público. Os filmes só se finalizam a partir da recepção do espectador, que torna a obra viva, ainda mais rica de significações e implicações, além de promover um poderoso debate para a sociedade.

Privando o público de uma obra de arte, nós autores-roteiristas nos sentimos atingidos e ofendidos, já que nosso texto necessita desse espectador para o fechamento de um círculo de apreciação.

Infelizmente, apesar do espanto que nos causou a censura e a apreensão da cópia, entendemos que não se trata de um fenômeno pontual e isolado no país. Atitudes que vão contra a liberdade de expressão de artistas e cidadãos, como a proibição de marchas, atitudes homofóbicas, dubiedades intrínsecas no processo de classificação indicativa, etc, já eram cenas que vinham preparando a explosão desse clímax.

É necessário então propor um desfecho para essa trágica narrativa que vai muito além do repúdio às atitudes dos cidadãos envolvidos nesse ato de censura. É urgente e necessário rediscutir, revalorizar e difundir os princípios de liberdade e de expressão que já fazem parte do documento mais importante que orienta a sociedade do nosso país.

Diretoria da AR.


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