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Sobre a WGA - 3
Tradução de Beto Skubs.
A maior divisão da WGA é entre freelancers e contratados, uma vez que o último tende a ser parte da administração. Isso é particularmente verdade durante greves, quando você como roteirista pode apoiar os assuntos em questão, mas você também é produtor, e a emissora quer que você entregue o programa no prazo. Roteiristas/Produtores com consciência que não atravessam essa linha podem ficar sem carreira.
O outro grande problema entre freelancers/contratados acontece em programas com equipes de roteiristas, pois os freelancers acreditam que essa estrutura limita a quantidade de trabalho para roteiristas.
Muitos freelancers gostariam de desenvolver um sistema de cotas, encorajando ou requerendo que os produtores aceitem uma certa porcentagem de roteiros escritos por freelancers; produtores/roteiristas querem manter suas opções flexíveis e usar quaisquer roteiristas que eles considerem certos para seus programas. As discussões nesta área tendem a ser bem feias.
Tudo fica ainda mais complexo pelo fato de que a WGA não age sozinha; decisões feitas entre a WGA e os estúdios podem iniciar conflitos entre a WGA e outras associações, como a dos Diretores.
Por exemplo: por mais de 20 anos, um dos assuntos mais polêmicos entre roteiristas e diretores é o chamado crédito de posse. Um crédito de posse é quando você vê na tela do cinema "Um Filme de Fulano de Tal" quando essa pessoa (geralmente o diretor) não escreveu o filme. A teoria é que, se você não escreveu o filme, não pode dizer que ele é seu. Mas acontece o tempo todo.
Ironicamente, é culpa da WGA isso ter virado problema. Originalmente, esse crédito não era concedido a diretores que não tenham escrito o filme. Esse era o acordo entre a WGA e os estúdios. Aí veio Alfred Hitchcock, cujos filmes eram tão coesos e particularmente seus por natureza que a Universal Studios pediu à WGA o uso do crédito de posse. Após pensar, a WGA finalmente decidiu autorizar, inclusive chamando o acordo informalmente de "A Cláusula Hitchcock", mas pediu ao estúdio para usar apenas em filmes de Hitchcock.
Mas, uma vez que se permite tal exceção, o resto segue, e logo até mesmo diretores estreantes estavam colocando seus nomes em "Um Filme de", para desespero dos roteiristas. Desde então, a WGA vem tentando renegociar o controle do crédito de posse mas tem encontrado resistência da associação dos diretores (DGA), que diz que isso viola seus contratos com os estúdios. A DGA ameaça com ação legal toda vez que o assunto é trazido à tona, com o argumento de que isso "rebaixa o papel tradicional do diretor", mesmo sabendo que o "papel tradicional" não existia antes da Cláusula Hitchcock.
Filiação à WGA não garante sucesso nem felicidade. Apesar de ela organizar seminários e ajudar a aproximar escritores e agentes ou com escritores mais experientes através de programas de tutelagem, a WGA não procura ativamente trabalho para os associados. Apesar de organizar palestras e debates sobre vários aspectos criativos da profissão, não pretende ser escola para roteiristas.
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Um dos aspectos mais problemáticos da WGA é a tendência a funcionar como club ou irmandade ao invés de união; existem panelas e círculos internos, os favorecidos (cujos rostos aparecem no jornal da associação) e os desfavorecidos (mantidos os mais invisíveis possíveis). (...)
Benefícios da Filiação
Então, porque associar-se à WGA? Bem, porque você é obrigado e porque às vezes ajuda estar na companhia de outros escritores que estiveram na mesma posição que você. Mais importante, estar na WGA permite que você continue trabalhando como roteirista para a maioria dos produtores, que são signatários da WGA. Parte do acordo em ser signatário é que os produtores não vão contratar roteiristas não afiliados.
Além disso, a WGA supervisiona todos os contratos com agentes e produtores, distribui ganhos residuais (mesmo que lentamente), arbitra determinação de créditos de roteiristas, disponibiliza um serviço de registro de roteiros e publica um jornal mensal com informações do mercado, artigos e outras informações de utilidade para roteiristas.
A WGA cria um fórum de encontro entre roteiristas, produtores e diretores no plano social; tem uma sociedade de cinema; organiza comitês que entre outras coisas analisa novas tecnologias e apóia a liberdade de expressão; e pode fazer lobby em favor dos direitos de freelancers e escritores de minorias.
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A WGA opera em associação com a Association of Canadian Television and Radio Artists, a Writers Guild of Great Britain e a Australian Writer's Guild.
Os departamentos da WGA incluem: Agentes, Requerimentos, Contratos, Créditos, Serviços Legais, Biblioteca, Filiação, Assuntos Públicos, Registro de Roteiros, Ganhos Residuais, e Signatários.
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Enfim, está aí um resumo de como opera a Associação deles, com seus prós e seus contras. Quando os dedos desincharem, escrevo minhas opiniões a respeito.
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Traduzido do livro "The Complete Book of Scriptwriting", de Michael J. Strackzinski, sem publicação no Brasil. Cap. 22: The Writers Guild of America.
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