PRIMO CARBONARI - 2

Além dos documentários, Carbonari produziu também alguns longas. Ele foi um dos pioneiros do gênero "docudrama", que associava dramatização aos fatos reais --recurso que a televisão usa hoje com freqüência. Um deles é "Ai Vem os Cadetes", que mostra a paixão de Primo pelo exército.

Seu cinejornal “Amplavisão”, transformou-se no maior acervo de imagens privado do Brasil. Hoje são mais de 3.000 edições do cinejornal, que buscam restauração e catalogação. Assim como boa parte da produção nacional, mais da metade de suas películas se perdeu. Restam hoje 8 mil latas de filmes em 35 milímetros, das 24 mil iniciais.

Tendo conhecimento do péssimo estado de conservação desse material, desde o ano de 2003 o crítico Jean-Claude Bernardet e o cineasta Eugenio Puppo, com o apoio de Regina Carbonari, única filha do cineasta, lançaram-se na difícil tarefa de não só recuperar o acervo de películas daquele que foi um dos principais cinegrafistas de São Paulo, mas de repensar a sua obra através da produção de um longa-metragem de 90 minutos.

Dispostos a uma revisão crítica do acervo de Carbonari (quase 8.000 rolos de filmes, cuja metade diz respeito a personagens e fatos de São Paulo), foi feito o documentário "Ampla Visão de São Paulo".

Carbonari ganhou 60 prêmios do Instituto Nacional de Cinema Educativo e sempre se auto definiu como “Um homem cheio de glórias”. Para ele, sua única derrota foi quando Collor de Mello assumiu a Presidência, chegando a afirmar para uma entrevista:

-“Por uma razão só eu estava muito ligado com o pessoal de TV. A única pessoa que segurava a situação entre a TV e o cinema era eu. Perdi naquele dia da extinção da Embrafilme... Tinha 65 empregados. Tive de vender propriedades, perdi US$ 30 milhões.

Produtora e distribuidora de filmes brasileiros, a Embrafilme era responsável pela liberação de recursos para o mercado cinematográfico e geria seu modelo de funcionamento, que incluía a obrigatoriedade de exibir nos cinemas curtas e cinejornais, antes das sessões de filmes.

Há anos que o cineasta estava recolhido em sua casa, cuidado que sua filha Regina Carbonari tinha adotado para preservar o pai de possíveis dissabores em consequência de suas declarações, que continuam carregadas de ênfase, juízos definitivos e sentimentos extremados, embora, às vezes, careçam de precisão, quando invocam memórias distantes.

Carbonari morreu na noite de 21 de março deste ano, aos 84 anos de idade, em sua casa no bairro da Barra Funda (zona oeste de São Paulo) ao lado da filha e do neto.

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