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Mazaroppi: herói do cinema nacional (2)
Por Mauro Alvim
Rever Mazzaropi pode trazer à tona inúmeras reflexões para o presente e futuro sobre o que um dia já deu certo. Analisando a temática de alguns dos seus filmes podemos destacar:
O Jeca e a Égua Milagrosa
Na caça aos votos, dois fazendeiros fazem de tudo para se elegerem prefeito numa cidade do interior. Os dois coronéis, Libório e Afonso, têm terreiros de umbanda e candomblé e utilizam os espaços para influenciar os moradores, arrebanhando fiéis para seus cultos e votos nas próximas eleições. O fazendeiro Libório tem em seu terreiro, como atração, uma égua a quem os fiéis atribuem poderes de cura. Os milagres feitos pela égua correm pela cidade e contribuem para indispor Afonso e Libório. Os agitados comícios que antecedem as eleições e os meios utilizados por cada um dos coronéis garantirão a prefeitura.
Jeca e seu filho preto
Mazzaropi é pai de um rapaz misteriosamente negro, fato que nunca pareceu lhe incomodar, mas que incomoda os outros quando seu filho se enamora de uma moça branca, filha de um rico fazendeiro quer matá-lo, uma vez que não admite que esta possa vir a se casar com um homem pobre e de cor. Uma verdadeira denúncia ao racismo não declarado no Brasil.
Betão Ronca Ferro
Mazaropi interpretava o artista mambembe que aos poucos ia perdendo o seu espaço para as grandes companhias capitalistas, fazendo o possível e o impossível para viver. Mais ainda depois que a sua filha (a artista principal do circo) se casa com um homem rico e, por ser a principal estrela, seu pai também vem a perder o emprego.
Jeca Tatu
Neste filme o Jeca é ameaçado por Giovanni, um perverso fazendeiro endinheirado, junto com o seu capataz Mão-de-vaca. Aqui, Mazaropi fala da espoliação dos grandes latifundiários com os mais humildes, chega a ser um precursor do movimento dos sem terra.
Tristeza do Jeca
O tema versa sobre disputa política. O Jeca mora na fazenda do Cel. Felinto junto com sua família e outros colonos. Como se aproximam as eleições, os coronéis da região disputam a simpatia do Jeca que é um líder entre os colonos.
O Paraíso das Solteironas
Neste filme ele fala das dificuldades de um caboclo do interior, que resolve tentar a vida na cidade. No hotel onde se hospeda, é alvo de olhares indiscretos de algumas solteironas. Envolve-se em uma intriga com a dona do hotel, é colocado às voltas com uma quadrilha e um grupo de ciganos, mas tudo termina bem para ele.
Em vida chegou a pedir argumentos e roteiros cinematográficos a Gianfrancesco Guarnieri mas de todas as pessoas a quem pedia roteiros, Mazzaropi recebia (ele dizia) estórias que não tinham nada a ver com ele nem com seu público. "Eles querem que eu mude. Mas mudar para que? Eu sei do que o público gosta e não vou ficar inventando." Em entrevista à revista Veja em 28-01-1970, ao ser perguntado seu tipo de leitura predileta revelou que só lia Tio Patinhas.
Uma outra coisa que ele sempre dizia: "Pois é, falam mal de mim. Só quero ver quando eu morrer. Daí vão fazer festivais com os meus filmes e tem gente que é capaz até de falar que eu fui um gênio. Quer saber? Deixa pra lá... Quando eu morrer isso já não terá nenhuma importância..."
Visite:
http://almanaque.folha.uol.com.br/ilustrada_14jun1981.htm
http://www.museumazzaropi.com.br
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