Modelos de produção do cinema em discussão
Roberto Faria
Caros,
Deixem-me meter a colher nessa troca de opiniões. Na década e 60, o Cinema Novo se desenvolveu com recursos próprios, empréstimos bancários, comendo sanduíche e empenhando as calças. Muitos dizem que aquele cinema não tinha público e até que o afastou do cinema brasileiro.
Pois bem, naquela época havia o chamado Prêmio Adicional de Renda de Bilheteria, que complementava a receita do produtor. Com isso, num mercado em que a soma da receita de todos os filmes nacionais não pagava o investimento feito nesses mesmos filmes, o Adicional estimulava o investimento privado de quem realmente queria fazer do cinema a sua vida.
Nenhum produtor ou diretor do Cinema Novo ficou devendo a bancos e o movimento ficou como um dos mais ricos da história do cinema brasileiro. Para mim, aquela foi a melhor forma de incentivo porque era concedido depois do filme feito.
O Adicional de bilheteria funcionava como complementação de renda e era concedido numa proporção de 15% da receita do produtor na bilheteria.
Além dessa complementação de renda, anualmente, o Instituto Nacional do Cinema, através de uma comissão de críticos (renovada a cada ano) escolhia mais 20 filmes considerados "de qualidade" que recebiam mais 10% como prêmio
adicional, sempre tomando como base seu desempenho no mercado; É importante frizar que não havia incentivo fiscal antes para produção.
Por considerar esta a melhor forma de incentivo, tenho defendido a idéia da volta do Adicional de Renda numa proporção mais alta porque hoje não temos o mesmo mercado que havia naquela época. Se, então, o mercado já era pequeno, imaginem hoje. No Brasil há menos uns 1500 cinemas e muito menos poltronas oferecidas porque as salas atuais são menores.
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