PSICANÁLISE DO TIPO DE PERSONALIDADE
- PERSONAGEM "DADOR"


Com o fito de tratar do primeiro tipo de personalidade do centro emocional da mandala de nove pontas conhecida como Eneagrama,  que atende pelo nome de "Dador", é que pedimos a atenção do caro leitor.

Neste tipo de caráter reúnem-se peculiaridades muito reconhecíveis de pessoas cuja maneira de sentir e perceber o mundo encontra empatia com o mundo das emoções, sobretudo quando pensamos as emoções em termos de relacionamentos, de troca, de dar e servir ao próximo.

O "Dador" é tido como um bom conselheiro. Muito protetor, está sempre disposto a atender às necessidades dos outros. Amoroso e solidário, gosta de ser útil, de ajudar o próximo. É o ajudante sensível e leal. Verdadeiramente encorajador, sabe dosar seu oferecimento. Prefere dar a receber. Envolvente, pode ser manipulador a ponto de se tornar insubstituível.

Da mesma forma que acontece ao grupo dos tipos de personalidade do centro instintivo ou motor da mandala - vide os tipos "Patrão", "Pacificador" e "Perfeccionista" já publicados e exibidos neste site -, podemos compreender alguns dos aspectos mais subjetivos dos universos psicológico, psicanalítico, dramático e narrativo que o tipo Dador traz à luz, pelo menos em termos de traços da personalidade adquirida e de seu comportamento no mundo, nas situações e nos relacionamentos.

É necessário dizer, aliás, que a visão crítica da literatura tradicional, como também aquela pertencente à arte audiovisual conhecida no cinema, na televisão e no teatro, tem em comum o olhar para a dramaturgia que esses tipos trazem em potencial, seja na pele de João, Marcos, Carlos, Daniel, ou seja na pele de Maria, Clarice, Joana, Marcela.

Em outras palavras, isto quer dizer que já assistimos na vida cotidiana ou na vida ficcional aos tipos de personalidade eneagramáticos que revelam conjuntos distintivos de personalidade, a partir da expressão de sua subjetividade e no que eles mostram em matéria de motivação, moral e ética.

No caso do tipo Dador, podemos tomá-lo a partir de sua característica peculiar que é praticar o ato de "dar". Isto constituído na base do tipo tenderá a uma compulsão do ato de maneira crescente e operacional até tornar-se hábito adquirido e motor vivo deste tipo de personalidade no plano inconsciente.

A criança Dador internalizou um protótipo de comportamento em que passou a manipular sentimentos, primeiro junto aos pais; depois, estendendo aos professores, amigos e amantes. A sedução, pois, é uma das suas principais armas, visto que este tipo de personalidade tem amplo trânsito pela via dos relacionamentos, por dar importância extremada às pessoas devido à sua necessidade de ser amado pelo que oferece a eles, como acontece comumente nas conquistas amorosas, aos jogos de sedução. 

Mas que não venham contrariar o "Dador" com a ingratidão ou com o não-reconhecimento de suas "prendas", pois, se isso acontecer, a raiva tomará conta dele (a) e uma grande explosão emocional se verificará, com conseqüências tão funestas quanto imprevisíveis. 

A origem do "jogo manipulatório" perpetrado pelo "Dador" provavelmente se deu junto à percepção que ele tinha dos pais e à necessidade do tipo em ter atenção e amor, motivo por que criou o hábito compulsivo de tornar-se o bem desejado nas situações, isto é, dar para ser amado, para ser atendido em suas necessidades emocionais. 

 


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