Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (12)

Para Couchot, por conta da particularidade da interconexão em rede, um número considerável de pessoas podem entrar juntas no jogo da interatividade e uma outra dimensão coletiva se acrescenta então à relação dual da obra e do espectador.

A interação não se produz mais somente em relação à obra e o espectador, mas, também, entre a coletividade dos espectadores, através da obra. Nas situações mais representativas, a participação do espectador, que se faz sob forma de gestos, textos, imagens e sons se inscreve na memória da obra cuja identidade muda e evolui constantemente, em torno de um núcleo preconcebido pelo primeiro autor que lhe assegura uma coerência e uma continuidade.

Para ele, estas experimentações têm uma forte vocação transcultural (COUCHOT, 1997, p.138-139). E a vocação transcultural é uma das mais fortes características do hiperdrama, narrativa sem fronteiras que atravessa o mundo e volta a sua origem transformada por meio dos cliques dos mouses de seus inumeráveis autores.

Finalmente, segundo Manovich, a tecnologia da nova mídia atua como a mais perfeita realização da utopia de uma sociedade ideal composta de indivíduos únicos.

Isto porque os objetos da nova mídia asseguram a seus usuários que suas escolhas, e portanto seus pensamentos e desejos, são únicos. “Como se tentando compensar por seu papel anterior de tornar-nos todos iguais (...) estão agora trabalhando para convencer-nos de que todos somos únicos.” (MANOVICH, 2000, p.42)

Bibliografia

  • BUSH, Vannevar. As we may think. The Atlantic Montlhy. v. 176, n.1; p 101-108, Julho, 1945.
  • BORGES, Jorge Luis. O jardim dos caminhos que se bifurcam, in Ficções. São Paulo: Círculo do Livro, 1975.
  • COUCHOT, Edmond. A arte pode ainda ser um relógio que adianta? O autor, a obra e o espectador na hora do tempo real, in DOMINGUES, Diana (org.), A arte no século XXI – a humanização das tecnologias. São Paulo: Unesp, 1997
  • GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991.
  • GUATTARI, Felix. Da produção de subjetividade. In Imagem Máquina – A era das tecnologias do virtual. André Parente (org.) Editora 34. Rio de Janeiro, 1993.
  • HARVEY, David. A condição pós-moderna – uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992.
  • JAMESON, Fredric. O pós-modernismo e a sociedade de consumo, in KAPLAN, E. Ann (org.), O mal-estar no pós-modernismo, teorias e práticas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993.
  • LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. São Paulo: Editora 34, 1993.
  • LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. Lisboa: Gradiva, 1989.
  • MACHADO, Arlindo. Hipermídia: o labirinto como metáfora, in DOMINGUES, Diana (org.), A arte no século XXI – a humanização das tecnologias. São Paulo: Unesp, 1997.
  • MANOVICH, Lev. The language of new media. The MIT Press, Cambridge Massachusetts; London, England: 2000
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