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Hiperdrama – dramaturgia e pós-modernidade nas mídias digitais (9)
Maria Cláudia Oliveira
Novamente aqui encontramos outra característica da modernidade tardia: o rompimento da relação tempo-espaço, como coloca Anthony Giddens, afirmando que “o dinamismo da modernidade deriva da separação do tempo e do espaço e de sua recombinação em formas que permitem o ‘zoneamento’ tempo-espacial preciso da vida social.” (GIDDENS, 1991, p.28)
Um conceito lembrado por Harvey que também pode ajudar a compreender o hiperdrama é o de heterotopia, de Foucault, que “designa a existência, num ‘espaço impossível’, de um ‘grande número de mundos possíveis fragmentários’, ou, mais simplesmente, espaços incomensuráveis que são justapostos ou superpostos uns aos outros.
As personagens já não contemplam como desvelar ou desmascarar um mistério central, sendo em vez disso forçadas a perguntar “Que mundo é este? Que se deve fazer nele? Qual dos meus eus deve fazê-lo?” (HARVEY, 1992, p.52)
5. Narrativas hiperdramáticas e videogames
Um dos produtos culturais da era digital que mais se aproxima da estrutura do hiperdrama são os videogames, que possuem recursos interativos semelhantes ao que se está propondo nesta dissertação.
Gonzalo Frasca, num trabalho sobre narrativas dramáticas em videogames, faz uma análise sobre as teorias narrativas de Claude Bremond em sua obra Logique du recit (1973). Bremond basicamente trabalha com a seguinte questão: “É possível descrever a completa rede de opções que a lógica oferece ao narrador em qualquer ponto da história para continuar com seu desenvolvimento?” (FRASCA, 1999)
Esta rede de opções, que não formam a narrativa em si, mas as “possíveis narrativas” (possibles narratifs), já pode ser encontrada em alguns videogames do tipo adventure, que começam a utilizar narrativas dramáticas e oferecem ao jogador algumas opções de interatividade.
Um exemplo da hiperdramatização do videogame é o jogo japonês Shenmue, desenvolvido por um dos maiores criadores de games do mundo, Ryo Suzuki, para a plataforma Dreamcast, da Sega – uma superprodução em 3-D, com toques e custos hollywoodianos, que levou cinco anos para ser finalizada e foi lançada em 2000 nos Estados Unidos.
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