Psicanálise do Tipo de Personalidade
- “Personagem Legalista ”

Trataremos aqui do segundo tipo de personalidade do centro de inteligência intelectual do sistema conhecido por Eneagrama dos Tipos de Personalidade.

O tipo é conhecido por “Legalista”, mas nos círculos de estudos do Eneagrama também pode ser encontrado o nome de “Patrulheiro”. No entanto, optamos pelo primeiro nome a fim de ajudar o leitor na compreensão e fixação dos nove tipos de personalidade eneagramáticos, respeitando uma nomenclatura relativa às iniciais de cada tipo e de acordo ainda ao centro de inteligência a que pertencem. Veja a representação:

  • "Tipos P": Patrão, Pacifista e Perfeccionista - pertencem ao Centro de Inteligência Instintiva ou Motora.
  • "Tipos D": Dador, Desempenhador e Devaneador - pertencem ao Centro de Inteligência Emocional.
  • "Tipos L": Longevidor, Legalista e Latitudinário - pertencem ao Centro de Inteligência Intelectual.


Ainda não escrevemos sobre o tipo “Latitudinário”, que será objeto de nosso próximo estudo, sendo que agora passamos a refletir sobre o tipo de “Legalista”.

Este tipo de personalidade está centrado no medo, isto é, sua maneira de expressar-se na vida e em sua contingência gira em torno do medo e de suas variantes como a dúvida, o questionamento e a desconfiança.

Pode haver, ainda, dois tipos de “Legalista”: o chamado “fóbico”, cujo padrão de comportamento vincula-se ao medo típico pelo o qual o encolhimento ou a fuga do objeto temido pode ser reconhecido no tipo; ou, na trilha oposta podemos encontrar o “contra-fóbico”, cujo modo de transparecer o medo é por seu encobrimento através de um enfrentamento diante do perigo, real ou imaginário, enfrentando o seu medo com o próprio medo disfarçado de coragem.

Podemos dizer que o tipo é um “Legalista” por sua forma de se conduzir no mundo, sendo leal e vinculado ao pensamento ordenado ou regido por leis que buscam razões seguras para a sua atuação diante de pessoas e coisas.

É por isso que podemos entendê-lo como uma espécie de caçador de indícios perigosos ou suspeitos em ambientes e pessoas, erguendo-se a um patamar no qual prevalecem idéias ou questionamentos que visam estabelecer uma seqüência lógica de eventos à sua própria segurança.

Na imaginação do “Legalista” pode haver um circulo paranóico que reproduz o medo em suas variantes mais bizarras, podendo ir de um medo de sair à noite a um temor de ver um monstro concretizado a partir das sombras furtivas de uma árvore.

Obviamente que, neste caso, trata-se do tipo fóbico cuja paranóia apossou-se dele de tal forma que somente um tratamento de choque poderá demovê-lo de ver coisas perigosas onde não existam.

Falamos da dúvida no “Legalista” como uma característica, e, por ser ela cognitiva, podemos entender que, quando criança, o tipo reagiu à perda da fé (segurança) permitindo o início de um círculo vicioso em torno da coragem, justamente para suplantar a dúvida (covardia) ou a falta de fé.

Na verdade, o medo é a base que vincula uma dependência às regras e à autoridade protetora, uma espécie de simulador da certeza da fé no “Legalista”, visto que se trata de um tipo com características mentais céticas.

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Felipe Moreno é autor e professor. Coordena o Projeto Letras Criativas destinado ao ensino e à criação de roteiros audiovisuais.

 


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