Psicanálise do Tipo de Personalidade
- “Personagem Pacificador”
Felipe Moreno
Iniciamos este texto comentando sobre o tipo de personalidade eneagramático conhecido como Pacificador. Ele é o tipo 9 do Eneagrama e tem no seu padrão instintivo a força espiritual manifestada no mundo.
Quer dizer, por estar situado no alto da mandala de nove pontas, a sua posição é a ponta superior do chamado centro instintivo, o que favorece ao tipo Pacificador perceber o mundo e as coisas muito mais pelo corpo e pela facilidade que tem de “passear” por outros corpos e se deixar absorver pelas necessidades alheias.
Este tipo coleciona atitudes e comportamentos, cujas principais qualidades são o sossego e a inércia. Portanto, o tipo tem características de preservação de status quo, acomodação, mediação e passividade, chegando com isso às raias do bom mártir devido à mentalidade rígida, para cuja tendência inconscientemente se inclina.
Podemos observar, sob o vértice psicanalítico, que essa questão é bastante significativa: por ser o Pacificador voltado à acomodação e ao esquecimento de si próprio, os impulsos de morte (thanatos) exercem relativo predomínio nesse tipo de personalidade.
Atraído pela acomodação (nirvana) e passividade, tem fortes inclinações à desidentificação, o que facilita à absorção por outros pontos de vista. Dessa forma, o Pacificador equilibra os dois campos, interno e externo, pois, se é vítima de impulsos desmobilizadores no campo interno (narcisismo), tem grande aptidão por sentir e ver sob os olhos dos outros (social-ismo).
Interessa observar, que esses tipos eneagramáticos, não são na verdade personalidades convertidas em espécies, mais ou menos fechadas em si mesmas feito estereótipos padronizados, mas sim aspectos nos quais o “eu” se mune para defender-se num mundo material desde a tenra infância, fase na qual criou ansiedades e temores e passou a operar por fantasias inconscientes.
Depois, vieram as fases de criação, escola, aprendizado, amigos; momentos em que o Superego foi reforçado (objeto internalizado), e de acordo com esses processos, o tipo inclina-se para este ou aquele tipo de personalidade, num processo de aquisição, momento pelo qual passa a operar as suas defesas de acordo com as nuances do tipo adquirido.
No cinema, existe um conceito segundo o qual "ação é personagem", de maneira que podemos exemplificar sob a ótica do Pacifista: a ação é o que “os outros fazem” em prerrogativa ao que ele faz, porque funciona mais na “cola” de outro executante que ele propriamente. Diferentemente do que o tipo anterior ao seu, o Patrão, sugeria: “eu faço ou eu controlo”.
Como dissemos, o padrão psicológico do Pacifista está no “esquecimento de si próprio”. Então a questão dramática do Pacificador sugere a posição Hamletiana, tipo: “estou com ele (a) ou não estou com ele (a)– eis a questão”.
Felipe Moreno é autor e professor. Coordena o Projeto Letras Criativas destinado ao ensino e à criação de roteiros audiovisuais.
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