Psicanálise do Tipo de Personalidade
- “Personagem Pacificador” (3)


Se tomado a partir de um modelo narrativo clássico, o estado atual do Pacificador na história seria aquela posição mencionada acima: ele estaria dividido numa situação entre pontos de vista e/ou sentimentos divergentes, digamos que, indeciso ou hesitante talvez.

Em outro estágio da própria narrativa correspondente a esse tipo de personalidade, alguma coisa vai acontecer a ele, provavelmente oriunda do ambiente externo, uma situação desestabilizadora, por exemplo, que pode pressioná-lo a tomar uma atitude nova ou fora do seu habitual, obrigando-o, neste caso, a desviar-se do caminho seguro ou conhecido por ele.

Outro estágio seria o estado de luta, em que o tipo tenderia a fugir da realidade por diversas formas, não raro se narcotizando de alguma maneira, por não ter posição a defender ou por não saber o que quer dentro das circunstâncias da eventual história.

Já o estado de ajuste na narrativa para o tipo seria então a sua concordância com uma solução final, não significando com isso, certeza, envolvimento ou decisão segura com essa tomada de atitude.

Para esse tipo de personalidade, temas não faltariam para serem abordados. Comuns a muita gente, em razão da identificação com, por exemplo, assuntos ou dramas que falam sobre as escolhas na vida, incertezas, indecisão, amizade, outro mundo, etc. E mesmo se pensarmos no Pacifista diante do quadro até aqui mostrado ele poderia também se ajustar a roteiros que priorizassem personagens-testemunhas, uma vez que a sua adequação psicológica seria aparentemente perfeita, devido à sua característica de colocar-se sob pontos de vista diferentes do seu.

Sem contar ainda as histórias que possam querer sublinhar posições dúbias ou passivas de personagens não tão convictos assim de sua força ou expressão. Mas que por isso mesmo podem vir a se constituir em achados caracterológicos, tornando-se personagens complexos e interessantes de se investigar, criativamente falando.

Interessante notar que os tipos de personalidade eneagramáticos não são unívocos, mas sim multívocos, isto é, nenhum de nós é apenas um tipo e nada mais, mas sim a somatória de todos os tipos cujo resultado apenas ressaltará ainda mais comportamentalmente um determinado padrão de nossa personalidade.

E isso também vale para os personagens ficcionais.
O Paficista, então, para todos os efeitos, é aquele tipo de personalidade que age sem convicção do poder de sua opinião ou pensamento, inclinando-o magneticamente a outros pontos de vista e sentimentos acima dos seus próprios.

Mas isso nada tem a ver com humildade, e sim mais com impotência. Numa história, por exemplo, se tivermos o Pacifista como herói ou heroína, ele (a) deverá se converter num (a) Pacifista Acima de Qualquer Outro Personagem. Ou será apenas um personagem secundário ou testemunhal.

 

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