Telenovelas latino-americanas: é tudo sempre a mesma coisa?
Iara Sydenstricker
A partir de uma síntese sobre a evolução do melodrama e do chamado folhetim eletrônico na América Latina e no Brasil, empreende-se uma primeira e rápida análise comparativa entre as aberturas de uma telenovela escrita por autores mexicanos e de uma telenovela escrita por brasileiros, ambas para uma emissora mexicana de televisão. Em sua conclusão, o artigo aponta para as perspectivas de exploração e inovação de temas, estéticas, formas de produção e linguagens em torno dos tradicionais parâmetros que regem o melodrama.
Palavras-chave: América Latina. Melodrama. Tradição. Inovação
Na Europa renascentista dos séculos XVI e XVII, vimos nascer a burguesia urbana, uma nova classe social calcada na economia comercial e no capital mercantil, marcando a era moderna até sua culminância, com as Revoluções Industrial e Francesa no final do século XVIII.
É nesse período que surge o drama burguês, elevando o homem comum à condição de personagem, deslocando-o do espaço da comicidade até então a ele reservado e substituindo o horror e a piedade da tragédia clássica pela empatia e compaixão na modernidade.
Passam a protagonizar a cena teatral, sentimentos de família, do lar, da moral protestante, enfim, temas e situações que dizem diretamente da vida burguesa cotidiana. Se no drama aristotélico clássico a personagem é secundária em relação à ação, no teatro burguês importa a identificação do público com as personagens, caracterizadas de acordo com os cânones realista-naturalista, que buscam não somente a verossimilhança interna ao universo da obra, mas também a externa, fazendo da ficção espelho da realidade.
Especialmente a partir do final do século XVIII, quando surge o melodrama, afirma-se o gosto pela cena “natural” associada à idéia de entretenimento, tornando-se mais solidamente plantada com o advento dos meios de comunicação de massa.
O melodrama assume-se, portanto, como a crônica da burguesia, numa época em que o mecenato deixava de garantir a expressão artística passando tal responsabilidade para iniciativas empresariais fundadas na lógica da viabilidade econômica e do lucro. (Szondi, 2004).
É, pois, com olhos “grudados” no público que escrevem os dramaturgos do melodrama inaugurado pela modernidade. Por isso mesmo, um dos maiores desafios do gênero é renovar-se no âmbito da sua repetição característica.
Assim, lidando com platéias incultas e inaptas à assimilação de sutilezas, resta ao dramaturgo a valorização do tempo presente em detrimento do passado histórico ou de um futuro distante, imaginário, não palpável. É o “aqui e o agora” o que importa na gênese melodramática que transforma em protagonista o homem comum, com o qual busca sintonizar-se opondo valores morais e éticos. Ao vício sobrepõe-se a

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Trabalho apresentado no I Colóquio Brasil-Chile de Ciências da Comunicação- Intercom e Faculdade de Comunicações da Pontifícia Universidade Católica do Chile.
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