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TEMPO QUENTE NO ANDAR DE CIMA
Congresso da ABTA mostra que telefônicas e operadoras de TV por assinatura vão disputar palmo a palmo um mercado emergente
Marcus Veras
O congresso da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) 2006, realizada em São Paulo entre 1 e 3 de agosto, foi uma oportunidade muito interessante para saber como andam as coisas no mundo maravilhoso da TV paga.
Este setor, que prevê um crescimento de 10% em 2006, vai tomando um espaço que as TVs abertas não podem (ou não querem) ocupar, no que diz respeito à segmentação da programação.
Para nós, autores e roteiristas, a discussão onipresente se as telefônicas devem ou não distribuir o sinal das operadoras (o famoso pacote triple-play, que inclui transmissão de dados, voz e conteúdo, como já o faz a NET Digital), parece muito distante, mas não nos iludamos – em breve o direito autoral vai sofrer uma nova revolução, e é bom estarmos muito ligados porque os contratos deverão incluir estas novas formas de exibição.
Isto posto, meu olhar foi o de mero espectador, passeando por entre os estandes que ofereciam produtos os mais variados. Um bom exemplo é o do corredor central: de um lado, o espartano estande da TV pan-árabe Al Jazzeera (que ficou fechado todo o tempo, vai que alguém do Mossad botava uma bomba lá...); logo em frente, a pecaminosa tenda do produtor de vídeo eróticos Buttman, com enormes displays de deusas calipígias em fio-dental.
Ou seja, da severidade muçulmana à decadência capitalista em apenas cinco passos... Isso é que é democracia! Muitos dos canais das TVs pagas estavam representados, com os indefectíveis bonecos infantis, brindes que iam de canetas a catálogos e até mesmo uma tenda para maquiagem patrocinada pelo programa “Superbonita” do GNT.

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