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Apontamentos em defesa da regionalização da produção audiovisual.
Por Iara Sydenstricker
Resumo
Partindo de experiência profissional no Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) e, mais diretamente, na TVE Bahia, este trabalho discute a idéia de regionalização da produção audiovisual no país, tantas vezes alardeada, mas ainda não levada a termo. Recortando o estado como unidade primeira para a implantação de políticas regionais para o audiovisual, o artigo aponta para algumas ações políticas de ordem prática que poderão contribuir para uma efetiva e democrática regionalização da produção. Defende-se, aqui, o mercado regional de produção audiovisual como profícuo campo para a capacitação e absorção de mão-de-obra - inclusive de jovens -, a valorização da cultura e o crescimento econômico dos estados brasileiros.
Palavras-chave
Audiovisual; Regionalização; Estados.
1 – Regionalização: o que é, pra quê serve, como funciona?
A chamada regionalização da produção audiovisual tem sido uma das reivindicações de setores interessados em democratizar o mercado audiovisual no país, muito embora a própria idéia de regional não forme um consenso, assumindo denotações diversas, tão flutuantes quanto os interesses e as marés políticas da radiodifusão.
Uma freqüente indistinção assemelha a produção regional à produção independente. No entanto, grandes empresas de audiovisual defendem a produção independente tendo em vista o fato desta ajustar-se, e bem, à (pós) moderna produção flexibilizada, capaz de desembaraçar as primeiras de ônus trabalhistas e das onerosas aquisição e manutenção de equipamentos e serviços (como estúdios, cidades cenográficas, ilhas de edição, capacitação e contratação de profissionais, dentre outras).
Verifica-se, ainda, que as maiores (e melhores) produtoras independentes localizam-se em São Paulo, no Rio de Janeiro e, em menor número, no Rio grande do Sul e em Minas Gerais. Por outro lado, poder-se-ía, por exemplo, pensar numa televisão baiana ou amazonense totalmente programada com conteúdos fornecidos por produtoras independentes cariocas, paulistas ou gaúchas, mas jamais absorveriam ou capacitariam profissionais da Bahia ou do Amazonas, a não ser quando extremamente necessário e, mesmo assim, em escala reduzida.
Portanto, muito embora contribuia para uma maior democratização do mercado audiovisual e para a experimentação de novos formatos e linguagens, a produção independente não é sinônimo de produção regional, ainda que ambas possam se complementar.
De acordo com Simões (2004), um dos conceitos de regionalização finca-se no chamado programa de conteúdo regional, de cunho “antropológico” ou exótico, porém muitas vezes realizado por equipes provenientes das matrizes das empresas de produção e de acordo com seus ditames, acrescentando, ao fim e ao cabo, muito pouco para o alargamento de mercados audiovisuais regionais, senão, no limite, a mera ascensão de um ou outro artista “descoberto” em alguma idiossincrática seara brasileira.
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